quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Devaneio de você

  Você está sentado, distraído, vê uma sombra, um vulto, sente calafrios, se assusta, imagina que seja um espírito, acredita por alguns segundos, se distrai...
  O vulto, o calafrio, não era um espírito, era você, parte de você que queria se levantar, agir, mas acaba te assustando e você torce para que não volte. O medo, a distração, afasta parte de você de você.
  Às vezes, você nem percebe você passando.
  Levante-se, reaja, para que você não te assuste, para que você não passe por você.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Hoje eu acordei cedo

Hoje eu acordei cedo,
Logo eu, que sempre acordo tarde.
Organizei pedras por tamanho,
Olhei as pessoas que andavam com pressa,
Fixei meus olhos naquela construção em que ela estava,
Enrolei papéis em forma de espiral,
Organizei as pedras em fila.
Tentei dormir de novo
Pra sonhar e senti-la por perto
(os sonhos enquanto dorme são mais reais)
Não sonhei, estava muito longe.
Acordei me sentindo vazia, era fome,
E eu que nunca sinto fome.

Hoje eu segurei o choro,
Logo eu, que me sinto aliviada em chorar.
Vi fotos antigas.
Gente que se foi, gente que permanece,
Gente que não lembro, mas parecia conhecer.               
Organizei as fotos,
Baguncei as pedras,
Esperei-a enquanto olhava para aquela construção.

Estou escrevendo enquanto ainda espero,
Logo eu, que não sei escrever.
Não toquei violão, não ouvi música,
Não hoje.
Não consegui falar com Bukowski.
O velho tarado me deixou falando sozinha,
Ou foi o contrário.

Hoje, eu, que sempre fui eu,
Passei o dia sendo por ela.